* 21.05—25.07.26 * 3 I ATLAS * Wagner Malta Tavares
* 21.05—25.07.26 * 3 I ATLAS * Wagner Malta Tavares
orlando tem o prazer de convidar para a abertura de 3 I ATLAS, exposição individual de Wagner Malta Tavares, que inaugura quinta-feira, 21 de maio, das 18h às 21h.
Em 3 I ATLAS, Wagner Malta Tavares apresenta uma constelação de obras e instalações que tensiona as relações entre o imaginário terrestre e o espacial. O título refere-se ao objeto interestelar que, desde meados de 2025, despertou atenção por movimentos e comportamento peculiares. Revelou-se um visitante vindo de um lugar muito diferente e distante do nosso endereço Sistema Solar. Hoje, 3 I ATLAS, como foi denominado, já se vai, afastando-se e seguindo seu caminho errando pela galáxia.
Na exposição, uma instalação de cores e formas esvoaçantes invadem o espaço; um objeto que flutua e outro cujo peso e equilíbrio não se decifram, espelham e encapsulam o que está à suas voltas. Tudo desde a iluminação alterada no percurso de acesso a orlando, parece conduzir para um lugar de suspensão, de outra gravidade.
No entanto, mais do que meros observadores de um fenômeno astronômico, ali podemos nos tornar interlocutores de uma presença radicalmente outra, que talvez a nossa mesma. Como em “A Invenção de Morel”, do escritor argentino Adolfo Bioy Casares, “3 I ATLAS” indica a necessidade do outro como uma ferramenta possível para entendermos a nós mesmos, ou um visitante de 11 bilhões de anos atrás, que quiçá seja o espelho a nos devolver a imagem de nossa própria e ínfima existência.
Wagner Malta Tavares (São Paulo, 1964) desenvolve uma pesquisa em diversas mídias, como escultura, fotografia, instalação e performance. Sua prática investiga as tensões entre o rigor construtivo e a efemeridade de elementos impalpáveis, como luz, ar, calor e aromas, articulando e ampliando o campo artístico na busca de uma possível metafísica dos corpos. Com formação em Comunicação Social pela FAAP, iniciou sua trajetória artística no final da década de 90, integrando o coletivo de artistas Olho Seco e fundando, em 2001, a galeria independente 10,20x3,60, espaço que geriu até 2003 por onde passaram importantes nomes da cena artística contemporânea. Entre suas principais exposições, destacam-se a individual Herói (Instituto Tomie Ohtake), participações no Panorama da Arte Brasileira (MAM-SP) e projetos em instituições na Europa e nos Estados Unidos. Vive e trabalha em São Paulo.
wagnermaltatavares.com
3 I ATLAS – Wagner Malta Tavares
Abertura: 21.05.2026, qui, 18h–21h
Visitação: até 25.07.2026
Horário: ter e qui, 14h–18h, exceto feriados, ou por agendamento via DM no Instagram ou e-mail info@orlando.art.br
[BOLETIM CÓSMICO] O objeto interestelar batizado de 3 I ATLAS (o terceiro identificado cruzando nossa vizinhança cósmica, após o 1I/ʻOumuamua e o 2I/Borisov), que desde meados de 2025 despertou atenção por seus movimentos e comportamento peculiares, começou a deixar o nosso Sistema Solar.
Sua trajetória hiperbólica confirmou uma origem vinda de um lugar muito diferente e distante do nosso endereço. Como uma cápsula do tempo da Via Láctea, possivelmente com 11 bilhões de anos, revelando condições da nossa galáxia primitiva e de outros sistemas planetários. Se afastará para nunca mais voltar. Astrônomos reforçam: "Não representa nenhuma ameaça à Terra e permanecerá distante". Ele veio de passagem e já se vai, seguindo seu caminho e errando por aí...
("Ground Control to Major Tom..." [David Bowie] ... "Tome suas pílulas de proteína e vista seu capacete"... a contagem regressiva começa...)
[UMA EXPOSIÇÃO EM ORLANDO] Em 3 I ATLAS, Wagner Malta Tavares apresenta uma constelação de obras e instalações que tensiona as relações entre o imaginário terrestre e o espacial. A mostra funciona como essa própria nave anômala que transporta os viajantes para um lugar suspenso. Sem o paradoxo da ilha de Morel, perigamos nos tornar meros hologramas de nós mesmos.
Questões de alteridade se impõem: esse outro, mesmo que seja um objeto interestelar cruzando o breu, surge como o interlocutor necessário para nos ver(mos) e nos entender(mos).
“Separados mas cúmplices, assim nos colocamos diante de uma obra de arte. Mesmo quando há um esforço de acessar outros sentidos que pretendem ir além da visão e da audição, continuamos em nossa integridade. Embora haja quem duvide disso, levamos conosco nossos sonhos, medos e desejos onde vamos.”––WMT, texto sobre obra de Héctor Zamora
Não seria a arte esse "outro"? Esse corpo radicalmente diferente que nos obriga a sair da nossa própria pele (ou órbita?) para alcançarmos respostas para perguntas sem sentido, ou formular perguntas para dar sentido a respostas confusas?
“A experiência estética cumpre a função do nos colocar dentro de nosso limite corporal e expandi-lo ao nos reconhecermos alheios a ela, embora nos identifiquemos no que há de comum e assim nos formemos. Nos reconhecemos quando nos sabemos diferentes.”––WMT, texto sobre obra de Héctor Zamora
“(...) enxergar e querer a singularidade do outro, sem vergonha de enxergar e de querer, sem vergonha de expressar este querer, sem medo de se contaminar, pois é nesta contaminação que a potência vital se expande, carregam-se as baterias do desejo, encarnam-se devires da subjetividade: a fórmula tupi. Este tipo de relação com a alteridade produz no corpo uma alegria – “a prova dos nove”, segundo afirma duas vezes o Manifesto Antropófago, prova da pulsação de uma vitalidade.” ––Suely Rolnik, Subjetividade Antropofágica
3 I ATLAS não nos visita para ser simplesmente visto, mas para provocação e contaminação para que possamos nos enxergar sob uma luz que não pertence ao nosso próprio sistema. É um arrebatamento, ou talvez um mero lembrete de atenção para estarmos em relação, ativando os devires da nossa própria subjetividade para percebermos mundos e quem podemos ser. É quando olhar para o que vem de fora nos permite olhar para dentro.
Em uma instalação com fotografia, objetos, som, luz e cores que refletem, 3 I ATLAS invade e ocupa orlando através de três forças: Planetário, Objeto Transdimensional e Hygieia.
Planetário – Lugar onde simulamos céus estrelados em diferentes épocas do ano, um artifício tecnológico que nos ensina a navegar e a nos situar olhando para fora do planeta Terra, mas sempre em relação. A fotografia da saída do Planetário do Ibirapuera tem o teto coberto por uma folha de prata que rebate as luzes e sombras do espaço. Como uma espécie de caverna invertida, a imagem sugere uma saída, mas o que ela faz é refletir, de forma deformada e instável, tudo o que está dentro — as cores, as cortinas e nós mesmos. É um espelho disforme onde a realidade interior se contamina com o vislumbre de fora, subvertendo as fronteiras entre a projeção e a presença.
(..."Agora é hora de sair da cápsula, se você ousar"... "Vagueando, caindo, flutuando sem peso"...)
Objeto Transdimensional – Uma cápsula de bronze que tudo engloba e deforma. Objeto que transita entre dimensões físicas e espaciais, repousando em um equilíbrio tenso que parece pertencer a outra gravidade. Seu peso contraditório, altera a percepção do redor, como se a massa de um planeta longínquo estivesse concentrada bem diante dos nossos olhos terráqueos.
(...o painel acende em alerta... "Seu circuito pifou, há algo errado"...)
Hygieia – Um balão metálico e reluzente flutua sobre o fluxo de ar gerado por uma espécie de ventilador-turbina. O nome evoca a deusa grega da saúde, da limpeza e da organização. Hygieia paira no ar, trêmula e oscilante, parecendo tentar achar o seu lugar no espaço, numa tentativa poética e mecânica de organizar o caos na turbulência.
3 I ATLAS, esse visitante raro já vai nos deixando. Resta-nos deixarmos levar para, quiçá, estarmos.
3 I ATLAS, UM SER VISITANTE
por Giovanna Bragaglia
"Onde não há ecos o silêncio é horrível como o peso que não deixa fugir, nos sonhos." –Adolfo Bioy Casares, A Invenção de Morel