* 29.01—21.02.26 * 7–onze
* 29.01—21.02.26 * 7–onze
Não perca! 7–onze, uma coletiva de arte no orlando para esquentar o pré-carnaval neste começo de ano!
orlando inicia sua programação de 2026 com 7–onze, uma mostra coletiva concebida por Giovanna Bragaglia e Beto Shwafaty.
7–onze parafraseia o nome da rede de conveniências norte-americana "7–Eleven". Referindo-se às condições de mercado e, ao mesmo tempo, buscando dar espaço e visibilidade para experimentações de uma grande gama de práticas artísticas, essa coletiva reune mais de 60 artistas de diversas gerações e estágios de carreira.
A exposição visa a comercialização das obras exibidas, mas vai além da ideia de arrecadação de recursos ou de uma mostra coletiva usual. A ideia é que a mostra também seja um gesto coletivo, que viabilize e fortaleça as relações de uma cena artística vista como um todo. O display expositivo faz referências a muitos momentos culturais: desde os salões do séc XIX, às lojas, armazéns e arquivos. As obras de parede são instaladas sem hierarquias prévias, obedecendo apenas a um limite espacial em relação ao chão e ao teto, gerando um contato inédito e singular entre obras que talvez nunca seriam vistas lado a lado. São exibidas obras de pequeno a médio porte, tridimensionais e de parede.
Artistas participantes:
Alan Oju • Alberto Simon • Alexandre Brandão • Ana Dias Batista • Ana Matheus Abbade • Ana Paula Oliveira • Artur Bombonato • Azeite De Leos • Beto Shwafaty • Bijari • Carlos Mélo • Carolina Colichio • Celina Portella • Celina Yamauchi • CL Salvaro • Claudio Cretti • Daniel Jablonski • Daniela Avelar • Debora Bolzsoni • Ding Musa • Erica Ferrari • Érica Storer • Ernesto Bonato • Estela Sokol • Fabiana Faleiros • Fabio Menino • Fabio Tremonte • Flavio Cury • Flora Leite • Frederico Filippi • Giovanna Langone • Helena Martins-Costa • João Livra • João Loureiro • Karina Walter • Kauê Garcia • Keila Alaver • Laura Andreato • Leka Mendes • Lourival Cuquinha • Luiza Crosman • Madame M • Maíra Dietrich • Maíra Vaz Valente • Mano Penalva • Marcelo Pacheco • Marcone Moreira • Mariana Serri • Mauricio Adinolfi • Paulo Wirz • Rafael Campos Rocha • Raphael Bianco • Raphael Escobar • Renata Padovan • Renato Custodio • Rodrigo Bivar • Rodrigo Garcia Dutra • Rodrigo Sassi • Tetta • Thomaz Rosa • Ulysses Boscolo • Victor Leguy • Wagner Malta Tavares • Zé Vicente
Exposição: 7–onze
Abertura: 29.01.2026, quinta, das 7 às 11PM
Visitação: até 21.02.2026*
Endereço: Al. Casa Branca, 35, sala 711 – São Paulo, SP
Horários: Terças e quintas, 14h–18h, ou por agendamento via DM no Instagram: @ooooooorlando ou e-mail: info@orlando.art.br
*Durante o Carnaval apenas mediante agendamento
7.11 razões para se reunir
por Giovanna Bragaglia e Beto Shwafaty
Um saldão, uma promoção, uma queima de estoque. Uma galeria, uma loja, uma grande oportunidade de fruir e adquirir arte contemporânea! Venha conferir essa mostra com obras de mais de sessenta artistas, numa época em que consumo e transgressão se encontram com ironia e humor.
7-onze reúne esculturas, objetos, pinturas, desenhos, obras tri- e bidimensionais de pequeno e médio formato que apresentam uma multiplicidade de posições artísticas e visões criativas. Esse grande conjunto de obras, apresentado no espaço orlando, evoca tanto os displays de paredes dos salões do séc XIX, quanto remete a lógica das feiras, galerias, mercados, depósitos, arquivos e lojas, enquanto as obras tridimensionais são reunidas no centro do espaço, atuando como uma instalação.
Durante a exposição, as obras estão à disposição para venda direta: ao serem adquiridas, são embaladas e, sempre que possível, entregues no ato da compra. Assim, também as lacunas e espaços vazios deixados pelas vendas efetuadas tornam-se índices dos fluxos de trocas, valores e movimentos do sistema artístico, e passam a integrar a exposição. O valor de base R$ 7,11 (cujos múltiplos e frações conferem preços para cada uma das obras) é também uma alusão aos diversos índices base utilizados na economia, como o CDI, IPCA, o Salário Mínimo… taxas, porcentagens e preços que ditam escalas e valores. Além do mais, 711 é o número da sala que orlando ocupa.
O debate sobre o mercado da arte e a sustentabilidade de quem nele navega, atua como o pano de fundo da proposta. A constelação de obras reunidas na instalação expositiva gera um todo que não elimina os sujeitos como elementos constitutivos da experiência. Na verdade, cada obra demonstra uma fração da pluralidade de um universo cultural riquíssimo, que muitas vezes permanece invisível, não estabelecendo relações entre si e com o público. A ideia de uma loja, de um depósito, de um arquivo, ou até mesmo de um acervo, são evocadas de forma funcional e reflexiva a fim de tensionar as ideias recorrentes de inovação, tendências, crescimento e progresso permanente que ditam as lógicas e ritmos do sistema da arte e de seus mercados.
Não se trata de uma crítica radical, nem tampouco de uma paródia. E também não se trata de um ato para enaltecermos as lógicas vigentes de mercado. Trata-se, na verdade, de uma ação coletiva em diálogo com o sistema da arte – entre alguns de seus elementos integrantes e sujeitos produtivos. É uma ação em face às lógicas de consumo que se tornam estratégias de exibição, circulação e divulgação – campos em que as obras navegam e artistas existem. Enunciamos também, com essa ideia, uma resposta construtiva às maneiras muitas vezes insatisfatórias pelas quais a arte tem sido concebida, exibida, mediada, negociada e distribuída. Ocupar um espaço, ativar uma galeria, trazer coisas e sujeitos à público é um ato necessário para evidenciar o que se faz, mas sem necessariamente replicar os efeitos de certas lógicas vigentes. Trata-se da articulação de novas formas e direções no interior do sistema em que existimos, pois é da ambiguidade que vivemos.