* 28.11.25—17.01.26 * Flora Leite: Espuma
* 28.11.25—17.01.26 * Flora Leite: Espuma
orlando apresenta para Espuma, projeto site-specific de Flora Leite, concebido a partir dos elementos do espaço.
Em Espuma, o chão de carpete cinza-claro torna-se superfície viva ao responder aos detalhes de orlando. Flora parte de investigações sobre aquilo que aparece e desaparece na superfície das coisas, a matéria que se agita e ganha forma. Das ondas e vibrações sísmicas do espaço e do tempo, o trabalho desestabiliza o lugar. Ali, entre as lesmolisas, as enrolinhadas, os caraminhois e os rolambolantes que roldam e relvelam na cocoinha do lambelero, o movimento segue inventando suas próprias formas de existir.
___
Exposição Espuma, de Flora Leite
Abertura: 28.11.2025, 18h–21h
Visitação: até 17.01.2026
Horários: ter e qui, 14h–18h, ou por agendamento
Local: orlando: al. casa branca 35, sl 711, são paulo
*orlando estará de férias de 20 de dezembro a 11 de janeiro
___
Flora Leite (1988, São Paulo) é artista e pesquisadora cuja prática transita espaços independentes e institucionais, articulando trabalhos, textos e debates sobre a materialidade do mundo e do próprio fazer artístico. Investiga as histórias e ficções que objetos e espaços carregam, produzindo subterfúgios de observação e negociação de sentido, nos espaços de arte e fora deles. Realizou individuais na Casa de Cultura do Parque (2024), no Centro Cultural São Paulo (2011) e na Oficina Cultural Oswald de Andrade (2017), além de projetos comissionados para aarea.co (2018), arte_passagem (2019/2021) e Casa de Cultura do Parque (2020). Em 2022, apresentou sua primeira individual em galeria, na GDA – Galeria de Artistas. Participou de coletivas em espaços como Simian (Copenhagen, 2022), Olhão (2019), Espacio de Arte Contemporáneo (2017), Caixa Cultural RJ (2015), SESC-SP (2015) e Instituto Cervantes (2012). Residências artísticas têm papel central em sua trajetória, incluindo Casa Tomada, Residência São João (2014), Red Bull Station (2017) e Ateliê Fonte (2018). Flora integrou ainda o PIESP (2011–2012) e expandiu seu campo de atuação como produtora no Aurora (2014–2016), no Intervalo-Escola (2016) e como gestora do Ateliê397 (2017–2018). Organizou programas públicos como Trela (2018) e Mulheres na Arte Contemporânea (2020–2021). Seus trabalhos integram os acervos do MARP e do CCSP. Em 2022 concluiu o mestrado em Poéticas Visuais na ECA-USP, participou do programa Casa-Escola (Casa do Povo) e atualmente integra o programa de pesquisa da Coleção Moraes-Barbosa. Foi selecionada para a residência Jan van Eyck Academie, em Maastricht, Holanda, em 2026, e participa da exposição Histórias da Ecologia, em cartaz no MASP até 1 de fevereiro de 2026.
Espuma
por Giovanna Bragaglia
Em Espuma, Flora Leite revela a superfície que é pele viva, alérgica e ativa. Percebe os sussurros e os tremores dos espelhos das tomadas, da caixa do ar-condicionado, do trilho de luz, da paredinha, de um certo vão...
Cartografia de vibrações sísmicas. Da marola que se forma não pelo vento, mas pela escuta atenta das coisas que estão e são. Aqui, o liso [1] dá lugar ao rugoso, ao enrolado e ao mistério.
Nesta paisagem-lugar instável, onde a lógica de um mundo em câimbras se desmancha, a língua também se dobra. “Lesmolisas enrolinhadas em caraminhóis rolambolantes roldaram e relveram na cocóinha do lambelero” – como falou a própria artista [2]. Linguagem e forma, onde o chão se levanta para inventar, na superfície do real, uma realidade própria, ou "tornar real a realidade" – como disse Carmela Gross [3].
Espuma: matéria em estado de agitação. Imperativo de pulsão, da fervura e da fermentação. Nem sólido, nem líquido – devir. Aquilo que ajuda o sujeito a se equilibrar no abismo, entre o que já não é e o que está por vir. Avesso ao liso e ao formatado. Por entre as espumas, espuma tu!
Notas
[1] HAN, Byung-Chul. A salvação do belo. 1. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2019. No livro, o autor desenvolve o conceito do "liso" como a marca do presente, daquilo que não oferece resistência, mas também não oferece mistério ou tato.
[2] A partir da tradução de Augusto de Campos de Jaguadarte ("Jabberwocky"), poema de Lewis Carroll presente em Alice através do espelho.
[3] LEITE, Flora. Pegar, subir, correr. Revista Rosa, 2023. Disponível em: https://revistarosa.com/8/pegar-subir-correr. Acesso em: 25 nov. 2025.