* 08.08—07.09.26 * MAROLA * de estela sokol
* 08.08—07.09.26 * MAROLA * de estela sokol
orlando tem o prazer de convidar para a abertura de MAROLA, exposição individual de estela sokol, que inaugura sábado, 8 de agosto, das 14h às 18h.
MAROLA é um trabalho modular que propõe uma sutil discussão sobre o branco a partir de sua interação com a luz. concebida especialmente para o espaço, a instalação reúne centenas de peças translúcidas espalhadas pelo chão, articulando uma topografia tátil que evoca nuvens, ondas e escamas.
MAROLA – de estela sokol
abertura: 08.08.2026, sábado, 14h–18h
visitação: até 07.09.2026
horário: ter e qui, 14h–18h (exceto feriados) ou por agendamento via dm no instagram ou e-mail info@orlando.art.br
endereço: alameda casa branca 35 sala 711 são paulo sp (em frente ao masp e ao trianon)
Bio
Estela Sokol (1979, São Paulo) vive e trabalha em São Paulo (SP), Brasil.
Estela Sokol (São Paulo, 1979) desenvolve uma pesquisa centrada na luz e na cor, aproximando o raciocínio pictórico do campo tridimensional. Em sua prática, transforma matérias industriais, orgânicas e sintéticas — como ceras, tecidos, plásticos, resinas e pigmentos — por meio de procedimentos que investigam novos estatutos para a pintura e a escultura. Através do uso de translucidez, opacidades e sobreposições, sua obra propõe diálogos sutis com o espaço, a atmosfera e a história da arte.
Entre suas principais exposições individuais, destacam-se mostras no Museu da Taipa (Macau, China), Gallery 32 (Londres), Paço das Artes (São Paulo) e Centro Cultural São Paulo. Participou de coletivas e bienais como a 13ª Bienal do Mercosul, Gasträume Public Art (Zurique), Bienal del Fin del Mundo (Ushuaia) e exibições no MAC USP e CCBB. Recebeu prêmios como o Prix Piza (França) e o Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea, e possui obras em coleções como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAC USP e Mallin Collection (EUA).
saiba mais: www.estelasokol.art
Tempo ao tempo
por Giovanna Bragaglia
Tal qual uma sala de cinema movida à luz natural, cujo roteiro insiste sobre a impossibilidade de captar o todo. Trata-se de uma longa exposição a olho nu — uma experiência de perceber a movimentação contínua sem tentar fixá-la.
É como estar no mar... descalço.
“Quem vem pra beira do mar, ai, nunca mais quer voltar”[1], já cantava Dorival Caymmi.
É como estar nas nuvens... pairando.
“Eu amo as nuvens... as nuvens que passam lá longe... as maravilhosas nuvens!”[2], respondeu o personagem estrangeiro de Charles Baudelaire.
Trata-se de dar tempo para o tempo passar.
Aqui, a iluminação natural opera como um projetor, e a obra de Estela Sokol, como uma tela viva em constante transformação. A partir da descaracterização da matéria, subvertendo a rigidez sintética das coisas do mundo, a artista brinca por entre gradações, camadas e espessuras para tomar a própria luz matéria. Na MAROLA, as formas arredondadas e côncavas articulam uma topografia tátil que sugere o brilho contínuo de ondas, nuvens ou escamas. Ali, abre-se uma sutil discussão sobre a cor branca no espaço: o branco deixa de ser um tom estático para se tornar um corpo sensível. Lugar onde luz, matéria e movimento operam juntos. Brancos se modulam, ganham sombras, texturas, reflexos e profundidades distintas, revelando que a própria cor é um acontecimento temporal.
Lá fora, a aceleração desenfreada da metrópole contrasta com os seculares jatobás, sapopembas e jequitibás do Parque Trianon. Suas copas parecem ser alçadas e integradas como extensão dessa paisagem interna.
“...numa paisagem em que nada permanecera inalterado, exceto as nuvens, e debaixo delas, num campo de forças de torrentes e explosões, o frágil e minúsculo corpo humano.”[3]
Assim descreveu Walter Benjamin a fragilidade do sujeito diante da velocidade técnica do impulso brutal da modernização no início do século XX. Parecia que apenas as nuvens mantinham seu próprio tempo, ritmo e cadência.
Diante dessa aceleração, ainda mais presente hoje, a capacidade de elaborar qualquer experiência se altera. MAROLA responde a esse diagnóstico convidando uma pausa para assistir à imersão no tempo em movimento. Onda agitada, fumaça no ar, ou estado de relaxamento: nem mar, nem céu. Numa tal altitude, em rarefeito, um cheiro familiar de cor laranja nos envolve num sobrevoo que nos eleva da cidade cinza, tirando-nos para fora sem nos mover do lugar.
Notas
[1] CAYMMI, Dorival. Quem Vem pra Beira do Mar. In: Canções Praieiras. Odeon, 1954.
[2] BAUDELAIRE, Charles. O Estrangeiro. In: Pequenos Poemas em Prosa. Tradução de Leda Tenório da Motta. São Paulo: Hedra, 2007.
[3] BENJAMIN, Walter. O Narrador: Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios sobre Literatura e História da Cultura (Obras Escolhidas, Vol. 1). Tradução de Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1994, p. 198.